Adeus ano velho, feliz ano novo
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- Publicado em Quarta, 18 Janeiro 2012 17:46

Por Rogério Sampaio
O mundo, o Brasil e Brasília sofreram emoções de toda ordem neste ano que se finda. A política e a economia foram os principais agentes desta gangorra que gerou incertezas, expectativas e, por que não dizer, algum tipo de esperança
Quando, no início da década de 60, os estudiosos da então incipiente ciência da comunicação preconizaram a existência de uma aldeia global, onde povos e nações estariam indissoluvelmente ligados, talvez não imaginassem as proporções planetárias desta previsão.
De lá para cá, a aldeia ficou cada vez menor e cada vez mais global. Ou seja, a responsabilidade com os vizinhos, em qualquer escala, se tornou mais e mais importante. Ninguém faz nada impunemente.
Pulando os períodos de beligerância, em que as diferenças entre povos e nações foram tratados na base da porrada, podemos observar que os grandes momentos de crise mundial foram originados em função de profundos desarranjos em sistemas econômicos nacionais ou internacionais.
Atendo-nos ao mercado imobiliário, nossa área de interesse, não custa relembrar a eclosão da bolha norte-americana, no recente ano de 2008, ocasionada pela implosão dos subprimes, os chamados créditos podres que praticamente implodiram a economia mundial, levando à bancarrota pessoas físicas e jurídicas, dentre as quais o centenário Lehman Brothers, ícone do capitalismo mundial.
A história se repete como farsa
Eis que, em 2011, novamente o mundo se depara com uma ameaça de crise sistêmica, tendo desta vez como centro gerador a Europa e sua Zona do Euro, outrora pilares da boa ortodoxia econômica.
E, uma vez mais, o segmento imobiliário se vê envolvido em um turbilhão de águas turvas e incertas, capazes de derrubar mercados e pulverizar economias. Este é, pelo menos, o cenário que se vislumbra lá fora.
Alento
Aqui no Brasil, a despeito da desaceleração da economia como um todo, a indústria imobiliária ainda é uma ilha de excelência. Só para se ter uma ideia, segundo levantamento realizado pelo Sinduscon-SP, em 2011 foram disponibilizados cerca de R$ 100 bilhões para o crédito imobiliário.
Em 2012, de acordo com Caixa Econômica Federal, este montante chegará a R$ 160 bilhões. Outros dados dão conta de que o PIB da construção civil cresceu 4,8%, e a projeção para 2012 é que o crescimento atinja o patamar de 5,12%. Só para efeito de comparação, não custa lembrar que o crescimento do PIB brasileiro, no último trimestre de 2011, foi de 0%!
Capital em construção permanente
Chegando ao mercado imobiliário candango, procuramos ouvir empresários que pudessem balizar tendências e oportunidades para 2012, bem como proceder a uma análise do ano que passou.
Para Marco Antônio Demartini, Diretor da Lopes Royal, maior imobiliária de Brasília, o ano de 2011 foi um ano duro, muito difícil e de muito trabalho. "Enfrentamos diversos problemas, dos mais variados tipos, e que ainda não foram solucionados, e ainda estamos trabalhando para a correção dos desvios e para retomar o ritmo de crescimento do mercado", afirma Demartini.
A mesma percepção em relação ao mercado é partilhada por Ludmila Pires Fernandes, Diretora de Empreendimento da Construtora Villela & Carvalho. "No nosso entendimento, o ano de 2011 foi um ano de ajustes de um modo geral, o que afetou sobremaneira o mercado imobiliário, tanto por parte do governo, que dificultou muito a obtenção de documentação para novos lançamentos, quanto pelo lado do mercado que estava superaquecido e agora está se ajustando a um patamar mais real".
Quem faz coro com a existência de gargalos no mercado imobiliário do DF é Dilton Junqueira, Diretor da Brasal Incorporações. "Este foi um ano marcado pela morosidade nas aprovações dos projetos e isso foi ruim porque atrapalhou o andamento dos trabalhos da empresa", afirmou.
Mercado em ondas
Mauro Castro, Diretor-Executivo de Operações da Rede Brasília de Imóveis, apresenta uma análise diferenciada. "O ano de 2011 no setor imobiliário foi um reflexo de duas grandes ondas, uma apoiada na entrega de muitos lançamentos iniciados em 2007 e 2008, outra pela retração nos mercados mais populares. Para a Rede Brasília, que atua preferencialmente com revenda de imóveis prontos, o mercado se mostrou menos intenso que o ano de 2010, mas estável suficiente para manter uma discreta curva de crescimento, tudo isso muito apoiado no processo de vendas em rede, que amplia a diversidade de estoque".
Crises x crises
Voltando a falar em crises, e de como elas afetam o nosso mercado, Marco Antônio Demartini, da Lopes Royal faz questão de abrir um parênteses. "Brasília, por suas características, sofre muito menos com CRISES FINANCEIRAS, e muito mais com CRISES POLÍTICAS. E estamos enfrentando crises políticas no DF desde novembro de 2009. Isto afetou diretamente o crescimento do DF e de seu mercado imobiliário. E no âmbito Federal, não foi diferente. Foram trocados 7 ministros em 11 meses de governo. Isto causou impactos no funcionalismo público de Brasília (sede do Governo Federal), nosso principal cliente comprador, e atrapalhou o apetite de compra e investimento no mercado imobiliário", exemplificou.
Já para Ludmila Pires, da Villela & Carvalho, a chamada crise trouxe aspectos positivos. "Em parte ajudou, porque imóvel é sempre um investimento tido como dos mais seguros. Mesmo assim, algumas pessoas, em situação de crise, preferem guardar suas economias e esperar o que vai acontecer para não ficar sem reservas em caso de emergência. Então os investidores ficaram mais conservadores", ponderou.
Mauro Castro, da Rede Brasíia, considera que "a inflação medida no início e meados de 2011 afetou de forma sensível o orçamento do brasiliense. Aliado a isso, as intensas notícias sobre a crise na Europa geraram impactos na decisão do comprador. Porém, alguns fatores ligados à economia foram favoráveis, como a manutenção do crédito imobiliário, a estabilidade no consumo interno do país e principalmente o índice de confiança do consumidor, que continuou favorável neste ano, e apontou crescimento no final do ano".
O que será o amanhã?
No geral, todas as análises apontaram que 2011 foi um ano de estabilidade para o mercado imobiliário da cidade. Se não houve crescimento, pelo menos não se registraram perdas. Em relação a 2012 as expectativas são, no mínimo, de muito trabalho pela frente.
A receita, segundo Marco Antônio Demartini, é uma só: "os empresários têm que continuar investindo em Brasília. Uma cidade nova, cheia de vida e com tudo para crescer nos próximos anos. Já o governo tem que estruturar melhor suas equipes de aprovações, desburocratizar os processos para liberação dos projetos e alvarás, resolver questões como a dos índios no Setor Noroeste, além de disponibilizar novas áreas para investimento por parte dos empresários, ou seja, cada um fazer a sua parte", conclamou.
Este otimismo é compartilhado por Mauro de Castro. "As expectativas são positivas. Para a Rede Brasília, o processo de vendas deve ficar mais aquecido na medida em que mais imóveis em construção sejam entregues. Há perspectivas boas, considerando o crescimento da adoção do crédito imobiliário e a melhora da oferta de imóveis prontos. Outro aspecto que aponta para um crescimento de mercado é o esforço do governo federal em ativar o consumo interno".





