Marketing imobiliário
   
 

Imóveis do DF à venda por agências de fora do DF (!?)

Não faz muito tempo, um empresário do setor imobiliário que participava de um evento promovido pelo mercado publicitário afirmou que não existiam em Brasília agências de propaganda que tinham conhecimento suficiente para divulgar e promover o mercado imobiliário. Por essa razão, ele não contratava nenhuma empresa do Distrito Federal. Pelo que ainda sei, essa situação permanece, com exceções. Eu não estava presente ao evento e soube do fato por colegas de profissão.

Deixando um pouco de lado a inquietação causada pelas palavras do empresário e até mesmo a revolta de alguns publicitários, escolhi este tema porque vejo como uma boa oportunidade para se abrir o debate.

É com satisfação que informo que ele está errado. Mas não o culpo. Acredito que é desconhecimento mesmo... Mas da parte dele. O Distrito Federal conta com um número substancial de agências e de profissionais com mais de duas décadas de experiência. Também já exportamos dezenas de profissionais para os maiores mercado do Brasil e do mundo – quem é do meio sabe disso.

Em um rápido exercício de memória, temos profissionais em Nova York, Londres, Espanha, Alemanha e Japão. Só citei essas cidades de cabeça porque não saí por aí perguntando. A lista é muito maior. Somam-se a isso as várias agências que já trabalharam com construtoras. Incluo minha empresa nessa. Já fizemos vários lançamentos. Inclusive fora de Brasília. Para encerrar esse tópico, uma agência genuinamente brasiliense atendeu, por anos, a maior construtora do país, que à época era a Encol.

A capital federal possui algumas características próprias. São poucos players que atuam no mercado imobiliário, que segue aquecido com oferta crescente de financiamento e juros decrescentes; uma massa populacional importante que pode assumir compromissos financeiros por uma temporada mais extensa; e imóveis com valores absolutos altos como consequência da concepção da cidade.

Como remunerar uma agência de propaganda se as condições são mais favoráveis do que em outras praças no momento? Se o empreendedor vender a maior parte das unidades imobiliárias no lançamento, este anunciante pensa em economizar em veiculação? Se o empreendimento micar, a culpa acaba indo para a agência, que não estaria conseguindo vender o empreendimento?

Se as vendas continuarem ruins, o cliente acharia que estaria gastando (e não investindo) ainda mais anunciando? Ele teria dúvida se pagaria à agência um percentual sobre o VGV ou um percentual de sucesso? Na propaganda ele deve orientar a agência a trabalhar a imagem do incorporador e/ou construtor ou só se preocupar em vender o lançamento? Ou deve chamar a agência para participar desde as etapas iniciais, como da concepção do empreendimento?

Essas são algumas questões que nós, das agências, lidamos no dia a dia. Se o mercado está ficando mais competitivo sempre queremos ao nosso lado gente competente. E isso tem um valor. Os construtores estão dispostos a pagar?

Uma agência especializada em um só setor econômico é como samba de uma nota só. Fuja dela! Uma boa agência de propaganda é especialista em generalidades. É daí que vem o tempero. É aí que o cliente anunciante vai sentir o molho especial e o diferencial competitivo.

O setor imobiliário ou o da construção tem por característica forte gerar empregos e renda, mas ao fechar oportunidades às agências de propaganda locais deixa de multiplicar ainda mais esses efeitos na economia do DF.

Diferente dos outros estados, o Distrito Federal não possui um mercado publicitário que discrimina agências das outras unidades da federação. As grandes multinacionais e as maiores do Brasil estão atuando aqui. As empresas locais estão disputando uma Copa do Mundo na propaganda todos os dias. Isso não acontece no setor imobiliário ainda. Eu pergunto: qual dos dois setores está melhor preparado? O imobiliário ou o da propaganda?




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