UM SHOW DE RESULTADOS
Por Rogério Sampaio
José Urbano Duarte, Superintendente Regional Sul da Caixa Econômica Federal em Brasília, recebeu a reportagem da revista WImóveis para um bate-papo sobre a 5ª edição do Feirão da Casa Própria, realizado na cidade entre os dias 22 e 24 de maio, além de outros assuntos referentes ao nosso mercado imobiliário. Cansado, mas feliz, Urbano contou as razões pelas quais este evento da Caixa vem, ano após ano, quebrando recordes de público e de fechamento de negócios. Confira a entrevista.
Revista WImóveis – Como você avaliou a procura da população pelos produtos desta 5ª edição do Feirão da Casa Própria aqui em Brasília?
José Urbano Duarte – No primeiro dia do feirão, uma sexta-feira, um dia normal de trabalho em todo o DF, teve o comparecimento de mais de oito mil pessoas. Já no sábado e domingo a grande afluência, que realmente aconteceu, já era esperada. Outro fator importante é que durante o fim de semana, as pessoas também já vêm munidas de mais informações, principalmente por conta do trabalho da mídia que ajudou a divulgar bastante o evento. Outro facilitador, também, foi o acesso maciço ao site da Caixa, através do simulador de financiamentos, que teve uma média de 17 milhões de visitas, somente durante o mês de abril. Em suma, este acúmulo de informações e facilidades fez com que as pessoas já chegassem sabendo, mais ou menos, o que buscar, facilitando o fechamento de negócios.
RWI - Você identificou esta tendência de as pessoas estarem mais conscientes de suas possibilidades financeiras na hora de buscar a compra da casa própria, sem cometer loucuras que venham a comprometer, futuramente, o orçamento?
Urbano - Exatamente. E, além das pessoas já estarem vindo com essa consciência, houve o comparecimento de um público que conhece melhor suas possibilidades, inclusive incluindo as recentes novidades na área de financiamento imobiliário, como a questão da ampliação dos subsídios, a desoneração do seguro habitacional, a redução das taxas de juros e toda a gama de medidas que vieram no bojo do projeto Minha Casa Minha Gente. Então, esse conjunto de informações trouxe pessoas que, no ano passado, não podiam comprar. E este ano, com todas as facilidades, estas pessoas se tornaram consumidoras porque o imóvel começou a caber no bolso de mais pessoas.
RWI – O senhor acha que o projeto habitacional do governo contribui de forma efetiva para a democratização de ofertas que nós vimos nesta edição do feirão?
Urbano – Assim como possibilitou a entrada de novos consumidores no mercado, o plano habitacional do governo permitiu uma maior mobilidade dentro do sistema habitacional. Pessoas que haviam adquirido imóveis em edições passadas puderam trocar por unidades de melhor padrão. Enfim, houve inserção e melhoria nas condições de compra de um grande contingente da população de uma maneira geral.
RWI – Nesta edição ocorreu um fenômeno bastante celebrado pela organização que foi o aumento no número de construtoras presentes ao feirão. Isso na verdade representa a criação de uma nova expertise, na medida em que estas construtoras passarão a atender um novo segmento econômico, representado pela população de baixa renda. O senhor acha que as construtoras já começaram a enxergar este novo público como clientes preferenciais?
Urbano – Com certeza. Eu acho que é um movimento bastante perceptível. Bastava dar uma volta pelos estandes para que se notasse a existência de inúmeros lançamentos voltados para esse público. Em outros momentos, especialmente aqui no Distrito Federal, os lançamentos, por diversas razões, eram restritos para um público de renda média e alta. Agora, com as novas possibilidades, as empresas começaram a perceber que havia um mercado comprador importante, compreendido entre as rendas média-média e média-baixa. Com isso, as empresas começaram a desenvolver projetos para esse chamado segmento econômico. Grandes empresas do DF, bastante tradicionais no segmento de luxo, estão, pela primeira vez, lançando empreendimentos para outros segmentos da população em regiões onde não costumavam fazer lançamentos, como é o caso de Ceilândia, Samambaia, Gama e até mesmo cidades do entorno do DF. Enfim, acabou aquele acúmulo de imóveis no Plano Piloto e Águas Claras. É lógico que continua havendo ofertas de imóveis nestas localidades, mas não são mais a maioria dentro do feirão. O panorama de ofertas que vimos no feirão mostra que havia ofertas para todos os bolsos.
RWI – Historicamente, o feirão de Brasília é tido como um dos mais rentáveis, levando-se em conta a média entre o número de visitantes e o número de negócios fechados. Este ano foi quebrado mais um recorde de vendas. A que o senhor atribui esta escalada de bons resultados do evento aqui em Brasília?
Urbano – Houve mudanças significativas na sistemática de financiamentos e isso só podia redundar em aumento no número de negócios. Veja bem, no primeiro feirão não havia financiamento com prazo de trinta anos para pagar. Hoje em dia tem. Isso interfere na capacidade de compra. Antes eu comprava com vinte anos de prazo e hoje posso comprar com trinta. A taxa de juros caiu significativamente. Tem gente hoje que paga uma taxa de juros de 4,5% ao ano. Essa taxa era de 6%, 8%. Houve também a questão da prefixação dos valores da prestação. Você começa a pagar um determinado valor mensal pelo imóvel e, em alguns casos, a prestação vai decaindo. Quando não, permanece com o mesmo valor até o fim do contrato. E como se não bastassem todas essas coisas, Brasília tem umas variáveis bem características da cidade, como por exemplo, o fato de Brasília ter sido a cidade que menos sofreu com a crise econômica, porque a questão do consumo aqui tem uma relação muito peculiar em função de como se dão as relações de emprego. O nível de estabilidade aqui é muito alto, em razão do grande número de funcionários públicos, tanto no nível distrital, quanto federal. O contingente da população empregada e economicamente ativa é extremamente alta em comparação com o restante do país. Então aqui, esta questão da estabilidade se reflete na hora da decisão da compra de um imóvel, movida, principalmente, na confiança que o brasiliense tem em que não vai perder seu posto de trabalho. Por isso, além de sofrer menos com a crise, o mercado candango retomou mais rapidamente o seu fluxo normal.
RWI – E o que está sendo preparado para a 6ª edição que vai coincidir com o 50º aniversário de Brasília? Haverá um feirão especial?
Urbano – O feirão tem sido tradicionalmente realizado no mês de maio e está previsto, também para o mesmo período em 2010. Mas, lógico que em função das comemorações do cinquentenário de Brasília a idéia é tentar uma adequação até mesmo pra que o feirão entre, definitivamente, no calendário oficial de eventos da cidade.
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